A
alergia alimentar pode ser definida como uma reação adversa a um antígeno
alimentar mediada por mecanismos fundamentalmente imunológicos. É um problema
nutricional que apresentou um crescimento nas ultimas décadas, provavelmente
devido à maior exposição da população a um número maior de alérgenos
alimentares disponíveis.
Para que a reação alérgica a um alimento ocorra,
proteínas ou outros antígenos devem ser absorvidos pelo trato gastrointestinal,
interagir com o sistema imunológico e produzir uma resposta. A resposta
primária é a reação do organismo quando entra em contato pela primeira vez com
uma substância considerada estranha. O resultado é a ativação inicial do
sistema macrofágico, seguida de ativação do sistema linfocítico.
A alergia
alimentar afeta 2,5% da população adulta. Entre 100 e 125 pessoas morrem por
ano nos EUA por causa de uma reação alérgica alimentar. Os riscos ao bem-estar
aumentam à medida que os alimentos consumidos em uma população são cada vez
mais processados e complexos, com rótulos inadequados.
Uma pessoa consome durante toda a sua vida cerca de
2-3 toneladas de alimentos diferentes. O sistema digestório os processa e os
converte em material útil para o crescimento e manutenção das células do
organismo. Considerando a quantidade de alimentos que o sistema
gastrointestinal de um indivíduo recebe durante a vida, não é surpreendente,
sob certas circunstâncias, que este material estranho possa produzir uma reação
adversa e/ou servir como veículo para agentes nocivos.
Em condições
normais, a reação alérgica a alimentos é evitada, pois o trato gastrointestinal
e o sistema imunológico fornecem uma barreira que impede a absorção da maioria
dos antígenos. Em um indivíduo adulto cerca de 80% das células produtoras de
anticorpos encontram-se associadas à mucosa do intestino delgado.
Os alérgenos
alimentares mais comuns responsáveis por até 90% de todas as reações alérgicas
são as proteínas do leite de vaca, ovo, amendoim, trigo, soja, peixe, frutos do
mar e nozes. Dietas modernas que incluem alimentos exóticos e uma grande
variedade de frutas e vegetais tem causado aumento de reações alérgicas a
certas frutas, como kiwi e papaia, e a grãos, como gergelim, mostarda e canola.
Até o momento,
não existe um medicamento específico para prevenir a Alergia Alimentar. Uma vez
diagnosticada, são utilizados medicamentos específicos para o tratamento dos
sintomas (crise) sendo de extrema importância fornecer orientações ao paciente
e familiares para que se evite novos contatos com o alimento desencadeante.
PEREIRA, A. C. S.; MOURA, S. M.;
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