Atualmente estamos em um nível de tecnologia muito avançado quando falamos em alimentos. As pesquisas, descobertas, afirmativas e também muitas dúvidas, impulsionam ainda mais o desenvolvimento e aprimoramento de muitas destas tecnologias hoje utilizadas. Uma das descobertas depois de muito tempo de pesquisa foi o uso de irradiação para melhor conservação dos alimentos, o que vamos comentar neste post.
De acordo com Ornellas (2006), irradiação é um processo físico que vem sendo estudado há vários anos, tendo o seu emprego regulamentado pelo Food and Drug Adminstration (FDA) desde 1963.
A irradiação dos alimentos é uma nova técnica de processamento que prolonga a duração dos alimentos estocados (CARROLL S.; SMITH T.1995). O mérito da irradiação está em sua capacidade de destruir microorganismos patogênicos e deteriorantes presentes nos alimentos. É empregada, ainda, para eliminar insetos e retardar o processo germinativo em produtos vegetais. Desta forma, há um aumento na segurança dos alimentos destinados ao consumo humano e uma redução nas perdas causadas por deterioração (ORNELLAS et al. 2006).
A radiação atua evitando ou retardando processos de infestação, contaminação ou decomposição do alimento. É um tratamento seguro, eficiente e relativamente de baixo custo que preserva o alimento sem aumento de temperatura e sem uso de aditivos químicos. Após 40 anos de pesquisa, a FAO e a OMS concluíram que o alimento irradiado é seguro e saudável (SPOTO et al. 1999).
Segundo Carroll e Smith (1995), o funcionamento se dá de forma com que, os raios gama rompem a cadeia de DNA dos microorganismos encontrados nos alimentos, destruindo-os. Não é possível saber se o alimento foi irradiado, apenas que será estéril, não oferecendo condições para o desenvolvimento de bactérias ou fungos.
Este processo é seguro??? Segundo Carroll e Smith (1995), os alimentos irradiados não se tornam radiativos e em geral seu sabor e aparência não sofrem alteração. Porém o processo pode destruir o conteúdo vitamínico de alguns alimentos. Alguns países recomendam que a irradiação seja restrita a certos tipos de alimentos, como aves e camarão, para reduzir o risco de intoxicação. Outros proíbem a irradiação e a importação de alimentos irradiados.
Ornellas (2006) ressalta que no Brasil, as primeiras pesquisas com irradiação de alimentos foram feitas da década de 50, pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), em Piracicaba (SP). Mesmo com a permissão, em 1985, do uso da irradiação para conservação de alimentos, os estudos se restringiram quase que exclusivamente às instituições de pesquisas, uma vez que o País contava com um número restrito de especialistas.Apesar de toda aprovação e controle no emprego da irradiação, diversas barreiras ainda persistem e impedem que os alimentos irradiados alcancem a completa comercialização. Na verdade, não são barreiras de natureza técnica ou científica, mas relacionadas ao custo de sua utilização e de aceitação pelo consumidor (ORNELLAS et al.2006).
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Com estas considerações ficam as perguntas: Você aprova o uso de raios gama em alimentos? Levando em consideração as perdas vitamínicas causadas pela aplicação deste processo, você optaria pela compra destes produtos? Você já viu algum produto nos mercados que tenha em seu rótulo a informação de ser um produto que recebeu tratamento com raios gama?
Pensando no futuro, esta técnica pode ser positiva quando falamos em tempo de armazenamento, pois produtos podem ser guardados e conservados por muito mais tempo do que o normal. No caso de tragédias naturais ou outros tipos de acontecimentos que poderiam nos privar de consumir alimentos frescos e estéreis por determinado período de tempo, seria uma boa aplicação.
Porém como toda moeda tem dois lados, não temos visto produtos nos mercados que indiquem em seus rótulos que passaram por um tratamento com raios gama. Como não temos respostas para todas as perguntas, não sabemos se estes alimentos já estão sendo consumidos por nós nas refeições cotidianas.
De agrotóxicos à raios gama não temos muita opção, o alimento quase sempre tem algo que tira sua riqueza natural ou que o contamina, sendo dentro de limites ou não. Dentro deste contexto é preferível fazermos nossa horta no quintal.
CARROLL, S.; SMITH, T. Guia da Vida Saudável. Folha da Tarde, 1995.
ORNELLAS, C.B.D. et al. Atitude do Consumidor Frente à Irradiação de Alimentos. 211-212, 2006. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/%0D/cta/v26n1/28872.pdf
SPOTO, M.H.F. et al. Radiação Gama na Redução da Carga Microbiana de Filés de Frango. v.19,n.3, 1999.
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